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Pentecostalismo: entre o desprezo e a recuperação do corpo

Leonildo Silveira Campos

Enquanto o chamado pentecostalismo clássico, herdeiro do movimento puritano, impõe regras severas sobre o corpo, os neopentecostais o ressituam, fazendo das reações dele o centro de uma liturgia ágil e viva, na perspectiva de encará-lo como um templo do Espírito Santo

Podemos colocar todos os pentecostais – clássicos ou neopentecostais – na mesma vala comum da ojeriza ao corpo e da negação dos prazeres corporais? Proceder dessa forma é uma temeridade, pois o pentecostalismo é um fenômeno religioso complexo e nem sempre apresenta unanimidade em suas cosmovisões, teologias e formas de culto. Observemos, contudo, que o pentecostalismo desde o seu início tem valorizado, embora de uma forma relativa, o corpo, especialmente na prática da cura e do exorcismo. Mas quase nunca esse aspecto tem sido enfatizado pelos analistas e, muitos deles, consideram os pentecostais apenas mais uma modalidade de neoplatonismo no que se relaciona ao corpo.

Neopentecostais revalorizam o corpo

Há duas vertentes no pentecostalismo: a primeira valoriza o corpo e as sensações e o faz até de uma forma exacerbada, como por exemplo a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD); a outra, aqui chamada de “pentecostalismo clássico”, é herdeira dos grandes avivamentos norte-americanos e da tradição das igrejas de santidade de origem metodista, que enfatiza mais a alma, os valores espirituais e a necessidade de se imporem regras severas sobre o corpo.
Acreditamos ser esta última postura o reflexo de antigas teorias platônicas e gnósticas para as quais o corpo é a morada má e perversa da alma. Tais origens levaram a discutida teóloga alemã, Uta Ranke-Heinemann, em seu livro Eunucos pelo reino de Deus: Mulheres, sexualidade e Igreja Católica (Ed. Rosa dos Tempos), a afirmar que esse desprezo e pessimismo pelo corpo é de origem pagã e que só secundariamente influenciou o judaísmo e o cristianismo.
Essa tradição filosófica de desprezo ao corpo tem menor influência sobre parcelas do pentecostalismo brasileiro e quase nenhuma sobre os cultos afro-brasileiros. Para eles o corpo é importante base para o espírito, na linguagem de alguns o “cavalo”, no qual espíritos “desencarnados” tomam forma para a prática de boas ou más ações. Nesse sentido, o corpo não tem valor em si mesmo e pode receber espíritos bons, o Espírito Santo, ou maus, os demônios. O corpo, portanto, se relaciona com uma dimensão transcendental, captando dela, tal como um pára-raios, energias espirituais que dão sentido à vida.
A teoria da possessão se encaixa dentro desse raciocínio e pressupõe uma matriz que explica a origem de todos os infortúnios que atingem o ser humano. Assim, como observou Ioan M. Lewis (1977): “O sofrimento é interpretado como possessão (…) invasão do corpo humano, que é usurpado como veículo para o espírito. No transe a personalidade do receptor se apaga e é substituída pelo poder da entidade possessora (…) superando o assalto espiritual forja-se um novo relacionamento com o espírito que faz da vítima dessa experiência um xamã com a conseqüente mudança de status” (Ioan M. Lewis. Êxtase religioso. São Paulo, Perspectiva, 1977).
A teologia neopentecostal não desvaloriza o corpo da mesma forma que o catolicismo e protestantes tradicionais, especialmente os de tradição puritana, cuja associação do corpo à matéria decaída praticamente baniu do culto ao “Deus espiritual” os movimentos corporais. O resultado foi a eliminação das emoções e da espontaneidade do culto, consagrando-se no lugar delas tão-somente o racional e o previsível.
A IURD, porém, ressitua o corpo e faz de suas reações o centro de uma liturgia ágil e viva. Afinal de contas, para ela o corpo tem a possibilidade de deixar de ser morada de demônios e se tornar um templo do Espírito Santo, desde que seja submetido a uma limpeza específica – o exorcismo.
Essa valorização do corpo no neopentecostalismo também se faz presente na insistência em embelezá-lo, torná-lo atraente, oferecer-lhe conforto, bem-estar, recuperar a saúde, coisas extremamente desejáveis na atual sociedade de consumo. Sobre isso é significativo observar que o jornal oficial da IURD, Folha Universal, tem colunas permanentes sobre beleza feminina, ginástica, as modas mais apropriadas para as várias estações do ano, aconselhamento sobre as novas descobertas em termos de cosméticos, formas de rejuvenescimento, higiene e outras mais. Estimula-se também a apreciação do belo feminino, reproduzindo-se, em cada edição, uma fotografia, aparentemente retocada, com legendas do tipo: “H.C., esta bela morena de olhos verdes, com todo esse sorriso, é obreira da Igreja da Abolição”.
Torna-se óbvio, portanto, que essa postura neopentecostal está muito distante do recato do “pentecostalismo clássico”, no que se refere à fala sobre o corpo feminino, aliás um discurso constituído muito mais de silêncios e interditos. Porém, quando manifesto, o discurso desse pentecostalismo tradicional é moralizante e ressalta sempre a necessidade de se cobrir o corpo e de se reprimirem os “prazeres da carne”.
Por tais motivos, a postura da Igreja Universal é criticada por grupos pentecostais tais como Assembléia de Deus (Convenção Nacional), Congregação Cristã no Brasil ou Igreja Pentecostal “Deus é Amor”, levando até mesmo alguém da academia (Universidade de São Paulo) a considerar a IURD, embora de forma inadequada, uma “igreja dos prazeres” (Folha de S. Paulo, 2/1/96).

A revalorização do corpo e a pós-modernidade

Atribuímos essa “conversão” neopentecostal ao corpo às influências da pós-modernidade e ao surgimento de uma sociedade de consumo. Esses conceitos, trabalhados por Gilles Lipovetsky (La era del vacío: Ensaios sobre el individualismo contemporaneo. Barcelona, Anagrauna, 1993) e Mike Featherstone (The Body in Consumer Culture, in Featherstone & B. Turner, The Body. London, Lage, 1991), podem nos auxiliar no entendimento dessa ênfase no corpo, tanto na cultura de um modo geral, como também na religião.
Para Lipovetsky “hoje vivemos para nós mesmos, sem preocupação com nossas tradições e posteridade”, em um contexto em que o Eu se converteu “num espaço ‘flutuante’, sem fixação nem referência, uma disponibilidade pura, adaptada à aceleração das combinações, à fluidez de nossos sistemas”. Esse novo contexto cultural traz consigo um culto à intimidade e um processo de reconstrução narcisista da personalidade, que “desmonta as referências do Eu” ao esvaziá-lo “de qualquer conteúdo definitivo.” Daí o temor do envelhecimento, da morte e a preocupação com “a funcionalidade ótima” do corpo, ênfases que desarticulam “as resistências ‘tradicionais’ e fazem o corpo se tornar disponível para qualquer experimentação”, menos para pensar no seu próprio desaparecimento. Assim, a tendência pós-moderna é de “liberar o corpo dos tabus e sujeições arcaicas e fazê-lo desse modo permeável às normas sociais”, acrescenta Lipovetsky.
É justamente nessa cultura narcisista que o corpo assume um lugar importante como instrumento de comunicação e de expressão das pessoas entre si e destas com o sagrado. Mas, ao ressituá-lo e atribuir-lhe uma dimensão espiritual, tal cultura acaba por provocar o surgimento de outra visão de doença e cura. A doença, que na medicina científica ocidental é tratada como algo em si, desvinculada da consciência do “Eu”, começou a ser encarada de uma maneira “holística”, inserindo o ser humano no todo, ligando-o até mesmo às forças vivas do cosmos, ênfases mais próprias da filosofia e medicina oriental.
Assim, no bojo dessa cultura ressurge um processo de “desmedicalização” da doença e das terapias, ao lado de uma “espiritualização” do corpo, fazendo com que as medicinas “holística”, “espiritual”, “alternativa”, “terapia de possessão” e outras atraiam cada vez mais um enorme número de pessoas. Esse sucesso se deve talvez à existência de uma descrença na capacidade da medicina científica em resolver todos os problemas, ao alto custo econômico em se lidar cientificamente com a doença ou simplesmente por causa da falência dos sistemas estatais de assistência médica. Entretanto a medicina tradicional reage e, por esse motivo, quase todos os líderes carismáticos e taumatúrgicos, devotados à cura no Brasil, enfrentaram acusações ou processos por “curandeirismo”, termo que se tornou um estigma do qual todos os que praticam as terapias alternativas procuram se desvencilhar.
O pentecostalismo recupera uma visão sacramental de mundo e inclui o corpo como ponto de interseção entre o macro e o microcosmo, tal como fazem terapias e crenças orientais, entre elas as chakras indianas, também usadas para “comprovar” a existência de uma circulação de energia entre o cosmos e o corpo. O Espírito Santo é a energia, quase impessoal, que cura e transforma até mesmo o corpo.
Sobre as ligações entre corpo e sociedade, na discussão dos processos de cura divina, há um texto muito desafiante de Meredith B. McGuirre – “Religion and Healing: the Mind, Body, Self”, in Social Compass, 43(1), 1996 – no qual o autor chama a atenção para a necessidade de se ir além da constatação da ligação entre os aspectos cognitivos da mente humana, as doenças e os rituais de cura, para também se enfocar o que ele chama de “emotional minds” do ser humano; isto é, a experiência da doença e da cura como algo que atinge o ser humano de maneira integral e não apenas a parte racional do Eu.
Concluímos que a prática de uma maior tolerância para com as maneiras pentecostais de tratar o corpo pode, nesse sentido, ser incluída sem grandes problemas no rol de nossos procedimentos ecumênicos. Basta para isso uma perspectiva mais “holística” da vida humana. Isso será possível, quem sabe, se deixarmos de ser uma irmandade “em Platão” para nos tornarmos irmãos “em Cristo”, cuja preocupação incidia sobre a saúde, a libertação, a alimentação e a ressurreição do corpo.

In: Tempo e Presença – Publicação KOINONIA. Rio de Janeiro, nº 296, ano 19, nov/dez 1997, pp. 14-16.
Leonildo Silveira Campos é doutor em ciências da religião, professor da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP)e autor de Teatro, templo e mercado: organização e marketing de um empreendimento neopentecostal. Petrópolis, Vozes, 1997.

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Dalai Lama é nomeado cidadão de honra de Varsóvia

O Dalai Lama foi nomeado cidadão de honra de Varsóvia, por seu compromisso com a liberdade de seus compatriotas e de seu país, a pedido do líder da oposição conservadora na Polônia, Jaroslav Kaczynski.

O líder espiritual e político tibetano recebeu a nomeação na presença do ex-líder do sindicato Solidariedade, ex-presidente do país e Prêmio Nobel da Paz, Lech Walesa.

O Dalai Lama agradeceu a honra e elogiou “a grandeza espiritual e a determinação” da população de Varsóvia, a “cidade invencível”, como a chamou, que desempenhou um papel fundamental no caminho rumo à democracia no leste europeu.

O Parlamento municipal da capital polonesa tinha aprovado, por unanimidade, a nomeação do líder espiritual tibetano, impulsionada pelo ex-líder de Governo Lech Kacynski.

O Dalai Lama chegou ontem a Varsóvia para uma visita de dois dias e visitou o Museu do Levante, em homenagem à revolta entre agosto e outubro de 1944, na qual morreram 200 mil pessoas.

O líder espiritual e político tibetano seguirá viagem rumo à Alemanha, onde participará de jornadas budistas próximas à cidade de Frankfurt e será recebido pelo primeiro-ministro do estado de Hesse, o conservador Roland Koch.

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Xamanismo


Nome genérico dado às atividades de caráter mágico, geralmente realizadas por um xamã, ou feiticeiro, que busca contatar mundos e forças sobrenaturais, invocar ou incorporar espíritos ou entidades divinas. Aparece em diferentes cultos religiosos da Ásia Central e Setentrional, África, Américas e Oceania, em culturas antigas, em diferentes estágios de evolução, particularmente nas sociedades indígenas. Por essa razão, o xamanismo não é considerado uma religião propriamente dita, mas um traço característico a diversas religiões. Usualmente, as principais tarefas destinadas a um xamã são a cura, a adivinhação e a busca de soluções para problemas ou questões da coletividade. É comum que o xamã entre em estado de transe emocional e que utilize plantas, animais e minerais em sessões rituais, que podem incluir a ingestão de bebidas muitas vezes alucinógenas.

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Zen


Zen, upload feito originalmente por Pink Sherbet Photography.

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Dicionário Houaiss: Zen


n substantivo masculino
Rubrica: filosofia, religião.
1 escola do budismo surgida na China do sVI d.C. e levada para o Japão no sXII, onde granjeou grande importância cultural até os dias atuais, caracterizada pela busca de um estado extático de iluminação pessoal, o satori, equivalente a um rompimento deliberado com o pensamento lógico, obtido por meio de práticas de meditação sobre o vazio ou reflexão a respeito de absurdos, paradoxos e enigmas insolúveis (koans); zen-budismo
n adjetivo de dois gêneros
2 relativo ou pertencente a, ou próprio do zen; zen-budista
Ex.: templo z.

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Theravada

Uma das duas principais correntes do budismo, a mais popular no Sri Lanka, Myanmar, Laos, Camboja e Tailândia. Seu objetivo é perpetuar os ensinamentos e as práticas verdadeiras de Buda. A maior corrente rival, o budismo Mahaiana, afirma manter as mesmas pretensões. O Therevada tende a um conservadorismo doutrinal e a uma interpretação cautelosa de seu cânon. Das dezoito escolas originais do budismo primitivo, foi a única que sobreviveu passados os primeiros séculos após a morte de Buda. A Theravada manteve sua identidade, enquanto outras seitas primitivas desapareceram ou se converteram ao budismo Mahaiana.

A organização Theravada baseia-se nos ensinamentos originais de Buda. Sendo a sangha (comunidade monástica) a instituição central do budismo, é nela que a Therevada baseia sua estrutura. Os fiéis acreditam que apenas os monges alcançam a Iluminação e que os leigos só podem aspirar a voltar a nascer como monges, depois de muitas reencarnações. A maioria dos países que segue o budismo Theravada mantém fortes laços históricos entre a hierarquia budista e os respectivos governos. O Estado e o sangha, muitas vezes, consideraram-se complementares e colaboradores.

A doutrina Theravada venera Buda como um mestre supremo, mas mortal. Considera que os ensinamentos (dharma) do Buda histórico encontram-se guardados nos Tripitaka, primeiro grande compêndio das escrituras budistas. O dharma desta escola contempla a existência humana através de diversos aspectos transitórios, crê em um ser composto, não unido pela alma ou identidade eterna: não existe um eu. Os theravadas esforçam-se para lidar com o dharma a fim de suspender a ação do Carma e alcançar o nirvana. O objetivo dos theravada é converterem-se em arat, sábios que alcançam o nirvana e não voltam a nascer.

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Palácio de Potala

Antiga residência do Dalai Lama, no Tibete. Está situado no alto da colina Vermelha, a uma altitude de 300 m de distância em relação à cidade de Lhasa. A disposição atual data do século XVII, embora ainda existam dois aposentos do século VII.

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Tibete

Tibete (em tibetano, Bod Zizhigu; em chinês, Xizang), antiga nação independente e área administrativa da China, situada na região sudoeste do país. Seu nome oficial é Região Autônoma do Tibete e faz fronteira ao norte com a região autônoma de Sinkiang Uigur e a província de Qinghai; a leste, com as províncias de Sichuan e Yunnan; ao sul, com a Birmânia, a Índia, o Butão e o Nepal; e a oeste, com a Índia.
A região é cercada por vastos sistemas montanhosos: o Himalaia, ao sul; a cordilheira Karakoram, a oeste; e as montanhas Kunlun, ao norte. A capital e maior cidade do Tibete é Lhasa.
O rio mais importante é o Brahmaputra. Os rios Indo, Ganges e Sutlej têm suas cabeceiras no Tibete ocidental. O Salween nasce no Tibete central; já os rios Mekong, Yang-tsé e Huang He (Amarelo) nascem no Tibete setentrional. O clima é semi-árido.
O Tibete é rico em recursos minerais; há ouro em muitas partes e notáveis jazidas de ferro, carvão, sal e bórax.
Tradicionalmente, é o centro do lamaísmo, uma forma única e muito desenvolvida de budismo esotérico. Desde que a China recuperou o Tibete, em 1950, a religião passou a ser muito controlada.
A cultura tibetana se baseia no lamaísmo, com uma notável tradição artística de imagens esotéricas, mandalas e talhas. Os centros tibetanos conservaram algumas das mais completas coleções de sutras mahayanas.
A principal atividade econômica do planalto setentrional é a pecuária, com criação de ovinos, bovinos, caprinos e outros animais de carga. A terra cultivável, que consiste em uma pequena superfície, produz cevada, trigo, fagópiro, centeio, batatas e várias hortaliças e frutas. Entre as manufaturas, destacam-se as indústrias têxteis e de equipamentos eletroeletrônicos. O antigo Tibete era dividido em principados que, no século VI, se reuniram em torno de um rei, Gnam-ri Srong-btsan. No final do século VII, as forças tibetanas começaram a atacar as fronteiras chinesas.
No final do século X, o reino tibetano começou a desintegrar-se e finalmente se dividiu em vários principados pequenos. Em 1240, os mongóis invadiram vários mosteiros e, em 1247, um lama importante foi nomeado vice-rei temporal do Tibete por Kublai Khan, com a tarefa de reorganizar a administração territorial.
O Tibete reconquistou a sua independência depois da queda da dinastia Yuan, de origem mongol. Em 1368, mosteiros rivais começaram a disputar o poder do território. O governo secular foi brevemente restaurado no século XV, enquanto o budismo tibetano foi revitalizado pelo rigoroso reformista Tsong-kha-pa, que fundou a seita Dge-lugs-pa. Em 1578, o terceiro chefe da seita recebeu o título de Dalai Lama. Antes de 1642, chegou ao fim a aliança com os mongóis e se estabeleceu um governo unificado, liderado pelo Dalai Lama.
Em 1720, as tropas chinesas expulsaram os mongóis e receberam uma boa acolhida em Lhasa; os imperadores manchus eram os soberanos do Tibete e o governo era controlado pelo Dalai Lama.
A última intervenção significativa da dinastia Manchu no Tibete ocorreu em 1792, quando as tropas chinesas ajudaram a conter uma invasão dos gurjas procedentes do Nepal. Enquanto isso, os oficiais coloniais britânicos da Índia tentaram criar um enclave na região, mas esses esforços fracassaram. Em 1904, o Tibete, que na época era virtualmente independente, foi invadido pelos britânicos e, em 1906, o império chinês teve a sua soberania no Tibete reconhecida em troca do pagamento de uma grande indenização aos britânicos, que posteriormente retiraram suas tropas.
O tratado anglo-chinês estimulou os manchus a invadirem o Tibete em 1910, mas, com a revolução que derrubou a dinastia Manchu em 1912, o país obteve independência nominal da China. Em 1918, as tensas relações entre o Tibete e a China culminaram em um conflito armado. O Dalai Lama continuou governando o Tibete como se estivesse à frente de um estado independente.
Em outubro de 1950, as tropas comunistas invadiram o Tibete. O governo tibetano capitulou em maio de 1951, ao assinar um tratado que mantinha o poder do Dalai Lama sobre os assuntos internos, mas passava para o controle chinês os assuntos externos e militares. Em 1956, começou a ganhar força uma guerrilha antichinesa. Em março de 1959, eclodiu um grande motim em Lhasa. O Dalai Lama fugiu para a Índia no final do mês e posteriormente estabeleceu uma comunidade tibetana no país. Os chineses aplacaram a revolta e nomearam Panchen Lama chefe do Estado.
Dezenas de milhares de tibetanos fugiram para o estrangeiro depois da invasão chinesa e a maioria se estabeleceu na Índia; o restante se refugiou nos reinos do Nepal e do Butão. O Dalai Lama estabeleceu um governo tibetano no exílio na Índia. Em 1965, o Tibete tornou-se oficialmente uma região da República Popular da China.
No fim da década de 1970, depois da Revolução Cultural, a China suavizou gradualmente sua política em relação ao Tibete. O Panchen Lama, que tinha sido substituído em 1964, foi readmitido em 1978. Em repetidas ocasiões, pediram para que ele regressasse. Em 1980, os chineses admitiram que o Tibete tinha sido mal governado, anunciaram reformas na região e permitiram as atividades religiosas. Em outubro de 1987 e em maio de 1993, houve violentas manifestações de protesto contra o governo chinês. Em 1993, pela primeira vez depois de dez anos, os chineses e os representantes do Dalai Lama mantiveram conversações, embora elas não tenham levado a mudanças substanciais na política chinesa.

Superfície: 1.222.000 km2; população (2000): 2 milhões 620 mil habitantes.

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dicionário houaiss: Zen

Zen: substantivo masculino
Rubrica: filosofia, religião.
1 escola do budismo surgida na China do sVI d.C. e levada para o Japão no sXII, onde granjeou grande importância cultural até os dias atuais, caracterizada pela busca de um estado extático de iluminação pessoal, o satori, equivalente a um rompimento deliberado com o pensamento lógico, obtido por meio de práticas de meditação sobre o vazio ou reflexão a respeito de absurdos, paradoxos e enigmas insolúveis (koans); zen-budismo
 adjetivo de dois gêneros
2 relativo ou pertencente a, ou próprio do zen; zen-budista
Ex.: templo z.

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Dalai Lama

Dalai Lama é o líder espiritual do budismo tibetano considerado reencarnação de Buda e antigo governante do país. Após a ocupação do Tibete em 1950 pela China comunista, Tenzin Gyatso, o décimo quarto Dalai Lama, exilou-se. Em 1989, recebeu o Prêmio Nobel da Paz.

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